
Ford escolhe LFP para uma pickup de US$30 mil, conectando a decisão à nova plataforma UEV, uma fábrica em Michigan e o futuro da autonomia a custo
Ford aposta em LFP para a primeira geração da UEV
A Ford está avançando com a plataforma Universal Electric Vehicle (UEV) e revela como chegou à decisão sobre a química da bateria e como pretende produzir as células.
Alan Clarke, veterano da Tesla com 12 anos na indústria, descreveu que o veredito foi tomado há três anos, e a equipe envolvida era reduzida, tornando o risco financeiro muito alto, já que a Ford planejava montar uma fábrica de baterias para fabricar as células.
Depois de avaliar várias químicas, pesos e custos, bem como projetar diversos pacotes, a Ford optou por células de lítio-ferro-fosfato (LFP) para o primeiro veículo da nova arquitetura: uma pickup média de US$ 30 mil com produção prevista para 2027. As células terão formato prismático (caixa) e serão fabricadas em uma nova planta em Michigan, usando tecnologia licenciada da CATL, o maior fabricante global de baterias de EV.
A vantagem clara é o custo: LFP tende a ser mais barata e suficientemente durável, o que ajudou a popularizar a química como base para o que vem no mercado. Segundo BloombergNEF, o custo de packs LFP era de US$ 81/kWh no fim de 2025, frente US$ 128/kWh para NMC, contribuindo para que a LFP dominasse o mercado global pela primeira vez em 2025.
Por outro lado, LFP é mais pesada e tem menor densidade de energia do que as células de alto níquel. Por isso, a Ford desenhou a plataforma UEV para funcionar bem com LFP, resolvendo “a parte mais difícil” primeiro — o empacotamento e o peso — para que, no futuro, versões com química de maior desempenho possam chegar com mais alcance sem comprometer o espaço de montagem.
Segundo Clarke, esse caminho abre a possibilidade de modelos UEV futuros com maior autonomia à medida que se avançam para chemistries mais potentes. Se a Ford tivesse feito o veículo para NMC desde o começo, talvez não houvesse espaço para uma variante LFP barata com especificações competitivas no horizonte.
Embora a Ford tenha mantido detalhes específicos de alcance, a empresa reforçou a ênfase na aerodinâmica e eficiência, além de uma nova “árvore de montagem” para substituir a linha tradicional. Um teaser mostrou uma picape mais streamlined do que o F-150 ou Maverick, reforçando o foco em design aerodinâmico.
Essa aposta vem após revisões anteriores, como o cancelamento de projetos como o F-150 Lightning e um writedown de US$ 19,5 bilhões ligado a EVs. Ainda assim, a Ford aposta que a família UEV pode abrir caminho para uma linha de veículos elétricos mais acessível.
Em resumo, a decisão de adotar LFP, a construção da fábrica no Michigan e o licenciamento da tecnologia CATL sinalizam uma aposta para reduzir custos, manter a produção viável e abrir espaço para upgrades de desempenho no futuro.
Pergunta para o leitor: Deixe seu comentário: você acredita que a estratégia LFP da Ford pode tornar os EVs realmente acessíveis?





