
Teste na Noruega aponta queda de até 60% na autonomia do Citroën e-C5 Aircross em temperaturas negativas, destacando vulnerabilidade de Stellantis no frio.
Frio extremo e a autonomia dos EVs: o que está em jogo
Baterias de íon de lítio perdem eficiência quando as temperaturas caem, e esse efeito é agravado pelo aquecimento necessário tanto para o conjunto de baterias quanto para o habitáculo. Diferentes chemistries e sistemas de gestão térmica influenciam o quanto a autonomia é impactada no frio.
Em linhas gerais, a queda de alcance varia conforme a temperatura, o estado das vias e se o veículo foi pré-aquecido. Em muitos casos, a perda fica entre 10% e 20%, podendo superar 35% em situações extremas, e é incomum ver quedas acima de 50%.
Citroën e-C5 Aircross sob os holofotes no frio
Um teste recente realizado na Noruega revelou que o Citroën e-C5 Aircross registrou uma perda de autonomia de cerca de 60% em condições de frio, sem pré-aquecimento pre-treinado. Os moderadores conduziram o protocolo habitual do teste, partindo de Oslo para o norte, com temperaturas entre -6°C e -9°C e sem aquecimento prévio do veículo.
No trajeto, o carro foi mantido no modo de condução Normal e o climatizador ligado a 22°C, com velocidades entre 70 e 110 km/h. Ao final de 204 km, restavam apenas 4% da bateria, sem uma estimativa de autonomia abaixo de 10%. Em comparação, o WLTP aponta 506 km de autonomia e a diferença observada ficou em 59,7%.
Para contextualizar, a mesma publicação testou um Kia EV4 com uma bateria de 81 kWh, em condições quase idênticas. O Kia agregou uma distância semelhante, mas as temperaturas foram ligeiramente menores para o Kia. Ao cruzar o ponto onde o Citroën encerrou o teste, o EV4 ainda mantinha uma autonomia estimada de 185 km, levando a uma projeção de cerca de 389 km de alcance total — 34,5% abaixo do WLTP de 594 km.
Não é apenas o Citroën que sente o frio. Outros modelos que compartilham a mesma plataforma elétrica — Peugeot e-3008, Peugeot e-5008 e Opel Grandland — utilizam o mesmo tipo de bateria de 73 kWh, com 70 kWh utilizáveis. Relatos de proprietários apontam quedas de autonomia acima do esperado em condições frias, reforçando o ponto de que o aquecimento e o restante da climatização pesam sobre a bateria.
Em resumo, a vulnerabilidade ao frio não é igual para todos os EVs. A combinação de química da bateria, do sistema de aquecimento e das condições ambientais determina a magnitude da perda de alcance.
Se você já experimentou perdas de autonomia no frio com o seu veículo elétrico, compartilhe nos comentários como tem sido a sua experiência e se o aquecimento prévio ajudou a mitigar o problema.






