
Naxtra promete manter desempenho em -50°C, com alcance estimado de 400 km no CLTC, sinalizando avanço no frio para EVs chineses.
Conquistando o frio
A CATL revelou a Naxtra, uma bateria de sódio projetada para manter o desempenho de veículos elétricos mesmo sob temperaturas extremas. A solução, desenvolvida pela CATL em Ningde, deverá chegar ao mercado chinês em meados de 2026, em parceria com a montadora Changan Automobile.
Com o rótulo Naxtra, a empresa afirma que a bateria funciona de forma estável até −50 °C, mirando um dos maiores problemas dos EVs durante o inverno: menor alcance e recarga mais lenta. A possibilidade de reduzir essas perdas pode acelerar a adoção em regiões frias.
Conquistando o frio: como funciona
Enquanto as baterias de lítio continuam sendo o padrão, as de sódio oferecem perfis diferentes em clima frio. O sódio, embora menor energeticamente, forma ligações mais fracas com o eletrólito, permitindo que os íons se desloquem com menos impedimentos quando o gelo congela o líquido interno.
A CATL afirma que, a −30 °C, a Naxtra pode entregar quase três vezes a potência de descarga de baterias LFP equivalentes. Em −40 °C, pode chegar a 90% de recarga completa, e em −50 °C mantém entrega de potência estável em condições de teste. Esses números são, segundo especialistas, pontos de referência de cenários controlados e devem ser interpretados com cautela para o mundo real.
Armazenar mais energia
Ao longo da última década, a CATL investiu cerca de 10 bilhões de yuanes em pesquisas de sódio‑íon, com uma equipe de mais de 300 pessoas dedicada ao projeto.
A empresa já instalou pela primeira vez baterias de sódio em um carro fabricado pela Chery, em 2023, que teve alcance de aproximadamente 170 quilômetros — um resultado modesto, segundo analistas. Já o modelo anunciado recentemente deve alcançar até 400 quilômetros no ciclo de teste CLTC, impulsionado pela maior densidade de energia da Naxtra.
A densidade de energia anunciada é de até 175 Wh/kg, o que representa cerca de 90% da densidade de baterias LFP atuais. O sistema cell-to-pack, que coloca as células diretamente no pack, reduz peso e material adicional, aumentando a eficiência.
Apesar do ganho técnico, a cadeia de suprimentos de sódio é jovem, e a produção em massa na China tende a custar cerca de 30% a mais do que baterias de lítio equivalentes — um fator que pode atrasar a massificação para o fim desta década.
O que esperar no futuro
Se a performance no frio se confirmar sem preço elevado, a tecnologia de sódio pode encontrar espaço em regiões frias ao redor do mundo. Do contrário, pode permanecer como uma opção de nicho.
Comentário: você acha que a bateria de sódio pode mudar o jogo no inverno ou ficará restrita a casos específicos? Deixe sua opinião nos comentários abaixo.






