
Mercado britânico de EV reage a pedidos de afrouxar o mandato de emissões, com dados do DfT indicando superação de metas e debate sobre demanda versus regulamentos.
Conflito entre política e mercado ganha força
O setor de veículos elétricos do Reino Unido está dividido entre quem defende manter o mandato de emissões (ZEV) e quem pede uma revisão para tornar as metas menos rígidas. A discussão ganhou peso após a SMMT solicitar uma revisão do mandato, enquanto o DfT publicou dados de conformidade para 2024 mostrando que os mercados de carros e de furgões superaram as metas.
Essa dicotomia levou a duas narrativas concorrentes: a SMMT aponta que as metas originalmente consultadas em 2021 eram excessivamente otimistas, enquanto o DfT mostra que, no ano em que o mandato foi publicado, a indústria atingiu e excedeu os objetivos.
Dados que alimentam o debate
O alvo de 2024 previa 22% de vendas combinadas de BEVs/HEVs. Na prática, 19,8% atenderam aos critérios, mais 4,7% foram creditados através de flexibilidade que permite créditos por veículos a combustão de emissões mais baixas.
O New Automotive’s ZEV Mandate tracker reforçou que esse ajuste metodológico é consistente com os dados da DfT e que a flexibilização já era considerada na metodologia da organização.
O que cada lado aponta
- SMMT: afirma que o caminho de transição foi desenhado com premissas otimistas demais, sugerindo a necessidade de reduzir o mandato para evitar desaceleração econômica.
- DfT: sustenta que o mercado cumpriu o combinado com folga, mesmo com as flexibilidades atuais, deixando claro que as regras vigentes estão sendo cumpridas acima do previsto.
Custos, energia e política pública
O relatório destaca que o custo de baterias está mais de 30% acima do previsto, com matérias-primas ainda altas. Os preços de energia industrial no Reino Unido subiram em torno de 80% desde 2021, enquanto na UE o ganho é de cerca de 28%.
Além disso, o custo de carregamento público aumentou mais de 140% nos últimos cinco anos. Embora haja mais modelos disponíveis e incentivos ao consumidor, o anúncio de uma futura taxação de rodagem para EVs aumenta o desafio para fabricantes e consumidores.
O documento aponta ainda que o uso intensivo de descontos – mais de £10 bilhões nos dois últimos anos – tem sustentado o mandato, levantando a questão sobre a necessidade de ajustes para manter o equilíbrio entre incentivo e custo.
Geopolítica, indústria e impactos no consumidor
A SMMT cita fatores geopolíticos, como a Proposta da UE de acelerar a produção europeia, que poderia afetar componentes e produtos. Por outro lado, o aumento temporário no preço do petróleo, impulsionado por tensões globais, ressalta os benefícios de manter o impulso em EVs para famílias, inclusive no mercado de segunda mão.
Analistas da ECIU destacam que a narrativa de que as metas não seriam atingidas é contestável, pois a concorrência entre fabricantes e a pressão para reduzir preços têm ajudado famílias a fazer a transição para EVs, fortalecendo a resiliência contra volatilidade de combustíveis.
O que vem a seguir
O governo já concordou com a necessidade de revisar o mandato, sinalizando um ajuste de rota. Em paralelo, outras regiões, como Canadá e EUA, já passaram por reavaliações de metas. O setor continua apostando em aumentar a demanda com políticas estáveis, infraestrutura de carregamento confiável e custos competitivos para acelerar a transição.
Participe
Qual é a sua leitura sobre o ZEV Mandate no Reino Unido: manter, flexibilizar ou recalibrar? Deixe seu comentário abaixo e compartilhe sua visão sobre como equilibrar metas, demanda e investimentos em infraestrutura de EV.






