
Com mudanças regulatórias e queda de vendas, o setor repensa o marketing de EVs para alcançar compradores tradicionais.
EV marketing em xeque: como atrair o consumidor comum
Em um mercado automotivo mais desafiador, o marketing de veículos elétricos precisa mudar para alcançar compradores que não contam com créditos fiscais para reduzir o preço inicial.
O golpe de efeito atual
Fabricantes como Ford, GM e Stellantis tiveram perdas bilionárias ao recuar em planos de eletrificação. A Honda também informou uma perda de cerca de 15,7 bilhões de dólares ao realinhar sua estratégia de EV.
Essas mudanças são impulsionadas por condições de mercado e por alterações regulatórias que tornam a adoção de EVs mais complexa. A administração anterior reverteu padrões de emissões, cortou créditos de EV de até 7.500 dólares e reverteu achados da EPA que apoiavam políticas climáticas. Após essas mudanças, as vendas de EV caíram quase 50% do terceiro para o quarto trimestre de 2025, segundo a AutoPacific.
A AutoPacific projeta que a participação de EVs no mercado caia para 7% em 2026, pela primeira vez desde 2011, quando o Nissan Leaf chegou ao mercado.
Quem está comprando EVs
Embora haja muitos modelos no mercado, a GM oferece opções que vão do ultraluxuoso ao acessível, com o Celestiq começando em torno de 340.000 dólares e modelos abaixo de 30.000 dólares disponíveis.
Loren McDonald, CEO da Chargeonomics, diz que antes os compradores entravam na concessionária já decididos a comprar, atraídos pela tecnologia verde. Hoje, é preciso persuadir, educar e converter o consumidor para que escolha EVs.
McDonald critica que, exceto Rivian, Tesla e Lucid, as montadoras não entenderam plenamente essa mudança. Ainda há pouca educação sobre como carregar e usar EVs, o que ele compara a aprender uma nova linguagem.
Novos sinais de demanda
Uma análise recente da AutoPacific aponta uma oportunidade: maior interesse entre eleitores republicanos. O estudo Future Attribute Demand aponta que quem pretende comprar um EV tende a se identificar como republicano 43% contra 36% democrata. Tesla responde por 44% do mercado de EVs nos EUA, e o estudo mostra que em 2024, 49% dos pretendentes a EV se identificavam como democratas e 28% como republicanos.
Ed Kim, presidente da AutoPacific, afirma que essa inclinação não está enraizada na política, mas em fatores como custo, disponibilidade de recargas e autonomia. O efeito pode tornar os consumidores republicanos uma força para os EVs, mas a leitura não depende apenas de convicções políticas.
Mensagem mais eficaz
Especialistas defendem educar sobre a diversidade de modelos elétricos e manter a presença em lojas para demonstrar as vantagens, em vez de depender apenas de campanhas massivas. A ideia é evoluir de uma narrativa ambiental para um apelo de desempenho, luxo e conveniência, com foco na experiência do usuário.
Marc Winterhoff, CEO interino da Lucid, diz que os fabricantes devem enfatizar as vantagens tecnológicas e de desempenho, deixando de lado a ideia de que EVs são apenas sustentáveis.
Estratégia de marketing orientada ao público
O consenso é que campanhas tradicionais em TV precisam ceder espaço para abordagens mais segmentadas com base em dados. O setor tem adotado redes sociais, publicidade programática e táticas de targeting para alcançar o público certo no momento certo.
Especialistas afirmam que a diferenciação de cada modelo é crucial. O exemplo da campanha Lucid Driven é citado como eficaz, especialmente diante do fato de que EVs fora do segmento de luxo continuam sob pressão de custo sem incentivos fiscais.
Os profissionais lembram que o custo inicial não precisa ser ocultado: os EVs são mais caros, mas entregam desempenho, tecnologia e experiência que muitos consumidores valorizam.
Como você enxerga o futuro do marketing de EVs. Vai atrair o consumidor comum apenas com desempenho e tecnologia, ou os incentivos ainda são decisivos? Compartilhe sua opinião nos comentários.
Com lançamentos previstos de modelos elétricos acessíveis e novas opções, o caminho para converter compradores céticos pode depender mais de produtos fortes e mensagens bem calibradas do que de subsídios governamentais.






