
Honda acelera incentivos para enfrentar Hero, mas as vendas de EV da HMSI continuam abaixo; rivais ganham terreno enquanto o mercado indiano foca em modelos de maior valor.
Panorama da disputa entre Honda HMSI e Hero
Nos momentos finais do FY26, a HMSI abriu um programa de incentivos aos concessionários com o objetivo de impulsionar volumes e ampliar participação diante da líder Hero MotoCorp.
No entanto, o movimento ocorre enquanto as vendas de scooters da HMSI crescem abaixo da média do mercado, e o esforço de EVs enfrenta desafios relevantes.
Resultados recentes: Hero ainda lidera, Honda segue próximo
Em fevereiro de 2026, a Hero MotoCorp despachou 516.968 unidades, com crescimento anual de 44,7% e participação de 27,62% no mercado. A HMSI ficou atrás com 513.217 unidades, alta de 33,7% YoY e participação de 27,42% (queda frente aos 27,73% do ano anterior).
Nos primeiros 11 meses do FY26, a Hero liderou com 5,5 milhões de unidades contra 5,2 milhões da Honda, mantendo participação de aproximadamente 26,92% para a Hero e 25,36% para a HMSI em fevereiro de 2026. O programa de incentivos é um dos diversos implementados nos últimos cinco meses, mostrando a ofensiva da Honda para fechar a lacuna ao fim do ano fiscal.
Desafios na era EV
O mercado de scooters na Índia, incluindo elétricas, avançou 17,7% nos primeiros 11 meses do FY26. A HMSI, porém, viu suas vendas de scooters crescerem apenas 7,7%, para 2,8 milhões de unidades.
As elétricas da Honda, Activa e QC1, tiveram produção interrompida por volta de agosto de 2025, por questões como baixo desempenho de vendas, alcance limitado e rede de troca de baterias restrita para a Activa e QC1. Enquanto isso, rivais TVS Motor e Bajaj Auto aceleram a participação de EVs. A TVS lidera as duas rodas elétricas no CY2025 e no FY2026, com o iQube acima de 300 mil unidades. O Bajaj Chetak elétrico também tem recuperação, atingindo topo de vendas em outubro de 2025. Alguns veem o foco da Honda em motos a gasolina como estratégia contra o custo crescente de combustível.
Mercado e valuations
A economia de duas rodas na Índia tende a favorecer modelos de maior valor, com queda de motos menores e demanda crescente por scooters maiores. A penetração de scooters fica entre 36% e 38,4% no Year-to-Date FY26.
Avaliações: Hero MotoCorp negocia a ~18,2-19,39 vezes o P/E, com cap de cerca de ₹1,06 trilhão. A Honda Motor Co. tem P/E entre 5,34 e 10,94, com cap de cerca de US$ 31,83 bilhões. TVS Motor e Bajaj Auto apresentam P/E elevados: TVS entre 53,43 e 84,03 (capitalização ~₹1,65-1,84 trilhão) e Bajaj Auto entre 25,1 e 28,47 (cap ~₹2,53-2,74 trilhões). A liderança EV da TVS sugere altas expectativas de crescimento; a P/E da Honda reflete riscos ou menor crescimento no segmento elétrico.
Riscos da defasagem EV
Impulsionar o volume com scooters a combustão pode trazer ganhos rápidos, mas acarreta riscos caso a transição para EV se acelere. A produção de elétricos da Honda foi paralisada por questões como troca de baterias pouco prática e alcance limitado frente a rivais como TVS iQube e Bajaj Chetak, sinalizando um obstáculo para acompanhar as necessidades futuras do mercado.
Caminho a seguir
A disputa entre Hero MotoCorp e HMSI permanece acirrada ao fim de FY26, com possibilidade de que incentivos gerem ganhos de participação, contanto que o portfólio elétrico evolua e a Honda se adapte às mudanças do consumidor na Índia.
O que você acha? Os incentivos de fim de exercício vão consolidar a vantagem da Honda, ou a aposta em motos a gasolina pode frear a transição para EV? Compartilhe nos comentários.






