
Análise da rivalidade entre Ford e Tesla, com foco nos prejuízos do Model e e no impulso da Tesla para condução autônoma e robô-táxis.
Em termos de disputa, Ford e Tesla representam o epicentro dos dilemas da indústria automotiva: investir pesado, reduzir custos e ainda buscar lucratividade enquanto se desenha o futuro da mobilidade autônoma.
A narrativa da Tesla
Há muita discussão sobre as entregas de veículos elétricos e a evolução da receita no setor. A competição se intensifica com rivais, incluindo Ford, que tenta ampliar participação de mercado com estratégias de preço e tecnologia. O ponto crítico, porém, é que subsídios para ganhos de mercado não são sustentáveis a longo prazo.
Dentro desse cenário, o desempenho do segmento Model e da Ford tem sido um indicativo de onde o caminho pode levar. Nos últimos três anos, esse bloco registrou perdas que pesam no balanço.
- Ford Pro: US$ 7,222 milhões (2023), US$ 9,007 milhões (2024) e US$ 6,843 milhões (2025)
- Ford Blue: US$ 7,462 milhões (2023), US$ 5,269 milhões (2024) e US$ 3,024 milhões (2025)
- Ford Model e: US$ (4,701) milhões (2023), US$ (5,105) milhões (2024) e US$ (4,806) milhões (2025)
Em resposta, no fim de 2025 a Ford anunciou uma cobrança de US$ 19,5 bilhões ligada aos ativos de EV e detalhou mudanças estratégicas para tornar o Model e lucrativo até 2029. Entre as medidas está um investimento de US$ 5 bilhões em uma plataforma de EV universal, com foco em produzir veículos acessíveis, começando por uma pickup de tamanho médio com preço próximo de US$ 30.000 em 2027.
Ford pode preocupar a Tesla?
Existem dois pontos que ajudam a manter a confiança dos investidores da Tesla. Primeiro, existe uma diferença entre vender carros e vender com rentabilidade sustentável; a Ford não espera lucro no segmento EV antes de 2029. A empresa aponta que poderá oferecer um custo de propriedade menor ao longo de cinco anos do que um Tesla Model Y com poucos anos de uso, o que sustenta a estratégia de preço.
Além disso, a Tesla segue avançando com baterias de custo menor e infraestrutura associada. A Ford também investe em baterias LFP, enquanto a Tesla constrói uma fábrica de LFP em Nevada e uma refinaria de lítio, apoiando a produção de modelos de custo mais baixo. Assim, a montadora liderada por Musk parece já estar respondendo ao movimento de Ford no segmento de preço.
O futuro da mobilidade
O histórico da Ford na comercialização de EVs vem com desafios, e se a visão de condução autônoma da Tesla se confirmar, o valor de ter um veículo capaz de condução autônoma — mesmo se usado como robotaxi por seu dono — pode ser um trunfo maior do que ter apenas um EV de baixo custo da Ford. E se o Cybercab decolar conforme esperado, isso pode mudar a equação para os consumidores e para a necessidade de adquirir um EV tradicional.
Em resumo, os investidores da Tesla não precisam temer fortemente a concorrência da Ford se a Tesla cumprir seu plano estratégico.
Qual aspecto dessa competição você acredita que definirá o futuro da mobilidade: autonomia total ou custo de propriedade mais baixo? Compartilhe seus pensamentos nos comentários.






