
Líderes automotivos pedem alinhamento com regras federais, encerrando o mandato ZEV de BC e unificando as metas de EV em todo o país.
Contexto: pressão para abandonar o mandato ZEV de BC
Líderes da indústria automotiva do Canadá pedem a British Columbia que cumpra a promessa de alinhar-se aos padrões federais de emissões, propondo a revogação do mandato provincial de veículos de emissão zero (ZEV).
A cobrança vem uma semana após o Premier de Ontário, Doug Ford, enviar uma carta semelhante ao premier de BC, David Eby, defendendo cooperação entre províncias e Québec.
Ford pediu a Eby que revogue o mandato de venda de EV de BC, argumentando que ele limitaria as vendas de veículos a combustão interna fabricados no Canadá.
Mudanças no cenário federal e o impacto local
BC encerrou seu programa de incentivos a EVs em 2025, após a suspensão de um programa federal. O governo da província anunciou um novo pacote de apoio à indústria com reembolsos de até C$5.000 na compra de EVs.
Em nível federal, o Canadá derrubou o Padrão de Disponibilidade de VE e substituiu por padrões de emissão mais rígidos, reduzindo o limite de 172 g/milha para 74 g/milha para anos-modelo 2027 a 2032. O governo espera que isso leve a uma adoção de EV em cerca de 75% das vendas de carros novos até 2035 e 90% até 2040 — embora sejam projeções e não quotas obrigatórias.
Apesar disso, BC manteve seus próprios mandatos ZEV. O governo reconhece a necessidade de alinhar-se ao policy federal revisado e criar uma meta nacional única e harmonizada.
Lobby groups representando Ford, GM e Stellantis, além de fabricantes canadenses, afirmam que a província ainda não tomou medidas concretas para esse alinhamento.
Demanda da indústria e visão dos agentes locais
Na terça-feira, várias associações emitiram uma declaração conjunta pedindo ação imediata, citando pressão econômica e preocupações com a acessibilidade aos consumidores. Tim Reuss, presidente da Canadian Automobile Dealers Association (CADA), defende substituir mandatos provinciais por uma abordagem nacional para reduzir emissões, acusando BC de criar uma barreira comercial e uma “lacuna de acessibilidade”.
Brian Kingston, presidente da Canadian Vehicle Manufacturers’ Association, também criticou mandatos ZEV provinciais, chamando-os redundantes e duplicativos. Blair Qualey, presidente da New Car Dealers Association of BC, disse que o governo da província não apresentou um cronograma para o realinhamento prometido e encerrou consultas sem indicar mudanças, preferindo manter o sistema próprio.
Qualey ressaltou que a abordagem federal — centrada em metas de redução de emissões — é mais sensata do que cotas de venda, defendendo que o setor use esse caminho para avançar no alcance de emissões mais baixas.
Qualey ainda advertiu que, se Quebec recuar em seus alvos, BC corre o risco de tornar-se “uma pequena ilha” no vasto mercado automotivo da região.
Québec e o debate entre as províncias
Ford argumentou que Québec e British Columbia — as duas províncias com mandatos de EV ainda ativos — deveriam revogá-los. Em carta ao premier François Legault, ele elogiou passos de Québec, como a retirada parcial da proibição de venda de veículos movidos a gasolina até 2035 e a atualização de metas de EV para refletir uma adoção mais lenta.
Québec substituiu a proibição total por uma meta de 90% de EV e híbridos combinados, mas Ford afirmou que isso continua aquém do necessário. David Adams, presidente da Global Automakers of Canada, endossou o posicionamento, pedindo a Québec que remova seus alvos remanescentes.
Mercado de EVs no Canadá: números e tendências
2025 foi o primeiro ano em que as EVs perderam participação expressiva de mercado entre concessionárias autorizadas (excluindo a Tesla). Dados da JD Power mostram queda de EV para 5% (de 6,8% em 2024) e de plug-in hybrids para 3% (de 3,9%); apenas híbridos convencionais subiram para 14% (de 10,5%).
A Tesla teve queda acentuada nas vendas — mais de 60%, atribuída a fatores como contramedidas canadenses sobre veículos fabricados nos EUA e outros motivos, segundo analistas.
Recentemente, o desconto de C$5.000 no EV tem reduzido o preço de modelos como o Model Y para abaixo de C$45.000 na versão Standard. As importações canadenses vinham principalmente dos EUA, mas a Tesla já passou a adquirir Model Ys na fábrica europeia para contornar tarifas, com importações anteriores da China em 2023. A dinâmica comercial com os EUA segue incerta, especialmente diante de negociações do USMCA.
Recentemente, o Canadá abriu a possibilidade de permitir até 49.000 EVs chineses por ano com tarifa reduzida de 6,1%, com as primeiras 24.500 unidades autorizadas de março a agosto. Montadoras já certificadas na América do Norte, como Lotus (apoiado pela Geely), Volvo e Polestar, estão bem posicionadas para aproveitar o novo regime.
Conclusão
O cenário aponta para uma pressão crescente por uma norma nacional única, mantendo ao mesmo tempo debates sobre incentivos, quotas e impactos para consumidores e indústria. A pergunta que fica é: o Canadá conseguirá consolidar um caminho comum sem prejudicar a competitividade e o bolso do consumidor?
Convidamos você a deixar sua opinião nos comentários: você acredita que é viável ter uma meta nacional única sem comprometer empregos ou o acesso a EVs?






